Eventos Literários: Dicas #5

Fala pessoal do Papo de Autor! Esse é o quinto e último post da série sobre dicas de como participar e tirar o máximo de proveito dos eventos literários. Nós já tratamos sobre a localização e o dia do evento, a temática e a importância da mesa e também um pouco sobre marketing e vendas. Hoje o assunto atende a uma pergunta que nos fizeram no último post: eventos valem a pena para quem só publicou em e-book? Spoiler Alert… Valem sim!

Scream for me, Colégio Carrão!

 

Tornar tangível

Quando a Amazon chegou ao mercado brasileiro em 2012, a autopublicação era um grande matagal. Eram poucos que conheciam o serviço e se interessavam em lançar um e-book. Hoje o problema é bem o inverso: são tantos títulos que o leitor se perde para encontrar algum em especial. Ficou ainda mais difícil para um autor iniciante e independente se destacar no meio dessa multidão virtual. Não vou me meter nessa seara agora, ainda mais sabendo que existem vários materiais muito interessantes sobre o assunto no próprio site Papo de Autor; basta dar uma procurada. Agora, existe sim algo que o auto de um e-book pode fazer para tentar tirar proveito da visibilidade que um evento literário proporciona.

Como já foi dito anteriormente, a primeira coisa que deve ser feita é abstrair a vergonha, pois apesar de o seu livro ser virtual, você autor é bem real. Você será a capa do seu livro, e todos sabem como a capa de um livro é importante para as vendas. Distribua marcadores, faça cardbooks, com links e QR Codes que levam o leitor direto para o site de venda do e-book, tire muitas fotos e converse com as pessoas. Se puder, imprima um teaser com os primeiros capítulos do livro e o venda a um valor módico. Venda, pois para muitos, algo que é dado não tem valor, mas algo comprado, nem que a um custo muito baixo, tem o caráter de um investimento que deve ser desfrutado. Pense nisso, inclusive, quando estiver vendo a curva de downloads subir exponencialmente naquela semana em que disponibilizou o seu e-book de graça no site. Muitos o pegaram por ser de graça, mas, infelizmente, sequer vão lê-lo…

LER – Salão Carioca do Livro. Mesa de debate patrocinada pela KDP da Amazon. Pergunta para o Diogo Andrade, o Thiago d’Evecque e a Kel Costa se ter e-book os afastou dos eventos.

 

Transmídia

Outro movimento bem interessante que tem marcado o mercado literário, especialmente no gênero de fantasia, é o advento da transmídia. E o que seria isso? Um modo inteligente de ganhar mais dinheiro com a mesma história, contando-a de diferentes maneiras em diferentes mídias. Um livro, que vira filme, que vira desenho animado, que vira série de TV, que vira quadrinhos, que vira videogame, que vira álbum de figurinha, que… já deu para entender. E como um mero moral pode se aproveitar dessa ferramenta? Com criatividade, é claro. Muitas das coisas que eu citei custam dinheiro, mas outras nem tanto, se feitas do modo certo.

Fazer contos que expandam o mundo de sua história é tão batido que nem vou perder tempo com isso; apenas faça! Agora, um mangá ou HQ já seria algo bem mais interessante. Se não sabe desenhar nada além de um boneco palito como eu, procure artistas de verdade e proponha uma parceria com uma divisão justa de lucros. Nada de sugerir que o artista faça algo de graça; não há nada mais ofensivo para alguém do que ter o seu trabalho desvalorizado a ponto de alguém vir e pedir que ele o faça sem cobrar nada.

Outra opção bem legal para quem é do gênero de fantasia é criar uma aventura de RPG que se passe no mundo de sua história. Recentemente fiz uma parceria com um grupo de mestres profissionais e pude atestar o resultado. Todas as pessoas que jogaram a aventura depois vieram correndo atrás do livro. Todas. A aventura funcionou perfeitamente como um teaser para o livro. Então, procure saber qual seria o melhor sistema que se encaixaria com a sua história (ou invente um!) e desenvolva uma aventura com personagens já definidos para ser jogada durante o tempo de um evento, ou seja, algumas horas. Coloque o material nas mãos de um mestre experiente que saiba o que está fazendo e depois só espere para ver a magia acontecer.

Marcos Justen do Covil dos Mestres narrando a aventura no mundo de Passagem para a Escuridão

 

Eventos virtuais

No último post, quando perguntaram sobre como autores de e-books poderiam aproveitar os eventos, a nossa querida autora Karen Soarele, com muita propriedade, comentou que existem os chamados eventos virtuais, que por sinal, também funcionam muito bem para aqueles com livros físicos. Eventos virtuais nada mais são do que lives para aproximar autores e leitores, com o intuito de divulgar trabalhos e muito mais. Esse é um movimento recente, possível graças a disseminação de tecnologias como o streaming e a banda larga. Não é à toa que vemos hoje em dia o surgimento de tantos podcasts e canais do Youtube sobre tudo e qualquer assunto que se possa imaginar. Ficou muito fácil para qualquer um ligar uma câmera, abrir o microfone e começar a falar, na esperança de que alguém do outro lado se interesse pelo seu conteúdo.

Falar sobre lives e canais do Youtube pode soar como coisa de blogueiro, mas a verdade é que cada vez mais os autores estão descobrindo que chegar aos leitores, fazer seguidores, é algo essencial para quem deseja se manter no ramo. Iniciativas como o Diário de Escrita, ou lives onde o autor debate com seus leitores sobre temas abordados em seus livro são cada vez mais comuns, e quando bem feitos, podem alavancar vendas e angariar novos seguidores, algo que no mundo analógico nós chamávamos apenas de fãs. E o que seria um fã, um seguidor? Alguém disposto a gastar seu tempo e dinheiro com algum conteúdo que o autor produza.

Ninguém precisa ser um super star da internet para se preocupar com o seu número de seguidores.  Um estudo recente, mostrou que para alguém sobreviver de conteúdo não é preciso um quantidade astronômica de seguidores. Basta fazer um cálculo rápido; para se ter uma renda de R$ 60.000,00 ao ano, seria preciso que 1500 pessoas estivessem dispostas a lhe pagar R$ 40,00. Óbvio que esse cálculo rasteiro precisa de muito refino, mas essa é a ordem de grandeza das coisas. Também não estou dizendo que é fácil… apenas que não é tão impossível assim =)

Processo de escrita de um livro

Processo de escrita de um livro

Autor(a): Danilo Sarcinelli

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