Papo de Autor entrevista Wesnen Tellurian

O Papo de Autor entrevista hoje está em casa! Wesnen, além de um dos escritores do Curtos & Fantásticos, também é membro do diário da escrita! Quer saber um pouco mais sobre a vida dele? Confira!

 

Fale um pouco sobre você. De onde você é? Qual é a sua formação? Qual gênero escreve?

 Nasci e cresci em São Paulo e, apesar da variedade de atrações que a Capital da cidade dispõe, eu sou bem caseiro. Gosto de estar com os amigos, a única forma de eu ser tirado de casa, além da necessidade de trabalho ou comprar comida (risos). Alguém falou em cinema? Ah sim, eu adoro ir assistir a filmes e faço disso um momento sagrado, de atenção total à história e, por isso, neste caso, gosto de ir sozinho, para não ter a experiência atrapalhada. No entanto, volta e meia surge um desconhecido, que parece estar no antigo programa de entrevistas da Hebe, de tanto falatório, então sou obrigado a levar um taco de beisebol com arame farpado enrolado e escrito “diálogo”. Brincadeira! Mas até que não é uma má ideia.

Sou formado no Wikipédia e Youtube, com direito a diploma emoldurado na parede. Ok, a essa altura, você já deve ter percebido que sou piadista, mesmo que ruim. Eu sou assim, uma forma natural que tenho de ser, que encontrei para dar cores à vida que já tem tanto cinza. Na verdade, desde 2010, sou formado na Escola Superior de Soldados, pela qual ingressei na carreira policial-militar. Tenho curso de escrita criativa e alguns na área audiovisual, e este último me tornou um editor de vídeos.

Eu acreditava que seria um escritor unilateral, que escreveria apenas histórias de fantasia. Aos poucos, descobri que consigo alcançar também os gêneros sci-fi, terror e drama. Difícil dizer qual gosto mais, pois, naturalmente, eu faço apenas o que gosto muito e cada um eu uso para uma mensagem específica.

 

Como você desenvolveu o amor pela literatura?

 Quando eu tinha por volta de 13 anos, achei um livro-jogo em um brechó, A Cripta do Feiticeiro, de Ian Livingstone. Era um RPG incrível, tanto pela história quanto pelas ilustrações, além do sistema de o leitor poder decidir o que fazer com personagem. Não demorou muito, então tive contato com Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K. Rowling, que, inicialmente resisti ao fenômeno, o que não durou muito. Peguei o primeiro livro emprestado de uma biblioteca, e gostei tanto, que não queria devolvê-lo. Sem condições de comprar um, comecei a escrever TODA a história em um caderno para tê-la para mim (Por que não me apresentaram uma livraria antes?).

Com o tempo, passei a ler livros de autoajuda, pois os títulos me chamavam a atenção e muitos eram curtinhos. Li tanto, que comecei a perceber um padrão em todos eles, tornando-os chatos, e fui catapultado para outras obras de fantasia. Quase que de forma inconsciente, esta foi uma busca por algo que se aproximasse do colírio A Cripta do Feiticeiro, apesar de que, eu gostava demais de assuntos místicos/sobrenaturais, e foi então que saltei para A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr. Mesmo depois de tudo isso, eu ainda resisti muito à literatura, pois achava que os livros bons eram raras exceções. Até que o livro A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman, abriu meus olhos — a obra oscilava de momentos empolgantes para tediosos —, logo… “ler não é chato, alguns livros podem ser chatos”, eu pensei. Bastaria eu ter acesso e recomendações de coisas boas. Baseado nisso, conheci o canal no Youtube, Cabine Literária, que, inclusive, inspirou-me na criação do meu canal, que se chama Canal KrossOver.

 

Quando decidiu publicar seu primeiro livro? Quais fatores contribuíram ou dificultaram sua estreia literária

 Não me lembro do título, mas foi quando assistia a um filme, cujo desfecho eu considerei uma tragédia de tão simplório. A riqueza do universo ali poderia proporcionar algo mais, no entanto, talvez por questões de orçamento (algo que eu não compreendia na época), o filme foi decepcionante. Somado a isso, eu mestrei por sete anos partidas de RPG no colégio, para um grupo que chegou a ter cerca de cinco jogadores; fazíamos as tarefas às pressas para voltar a jogar. Resumindo: o que me fez se enveredar por esse caminho foi minha decepção com histórias que eu julgava terem um desenrolar ruim — decidi fazer eu mesmo, escrever algo que juguei ser grandioso que, até então, não havia visto em nenhuma mídia (Vingadores: Ultimato supriu essa minha sede, com amarrações de universos e uma batalha épica). E, depois de parar de jogar RPG, continuei com histórias fervilhando em minha mente, por isso quis despejar tudo na folha em branco.

As dificuldades que eu senti na minha estreia literária foram de encontrar suporte de profissionais da área que me ajudassem a evitar burocracias e armadilhas, e também o buraco negro que me sugou: a inexperiência com marketing e a falta de espaço para ser divulgado. Aliás, parte do sentimento da criação do meu canal partiu da ideia de promover divulgação, tanto do meu trabalho quanto de outros autores que precisem de espaço (Se você, autor ou profissional do mundo literário, for de São Paulo, podemos gravar pessoalmente uma entrevista, mas, se for de longe, poderá gravar um vídeo sobre sua obra, que postaremos lá).

Hoje em dia, a internet tornou tudo mais dinâmico e democrático, tanto para encontrar profissionais quanto para viabilizar a divulgação. A concorrência aumentou em todos os sentidos, então, por exemplo, encontrar uma agência literária que preste serviço de leitura crítica ou capistas com talento, ficou mais fácil. Nem sempre é barato, mas temos opções ótimas disponíveis.

 

Além de escritor, você tem outra profissão? Como você diria que essa profissão contribui para o enriquecimento da sua carreira como escritor?

 Como escritor e editor de vídeo/imagem, na atual circunstância, trabalho na Polícia Militar de São Paulo, no setor de comunicação social, onde faço parte de uma equipe que se empenha em divulgar matérias nas redes sociais sobre tudo de positivo que os policiais têm feito nas ruas, desde prisão de criminosos a salvamento de bebês.

Não consigo ver algo que a carreira policial-militar tenha contribuído para a carreira de escritor, pois segurança pública não tem muito a ver com escrever romances. Por outro lado, acredito que minha condição de escritor e editor é quem contribuíram com minha função atual. A leitura constante, por exemplo, ajudou-me muito a ter um bom repertório para falar e escrever, além das possibilidades de soluções que uma boa trama pode seguir, e realmente considero isso útil para mim como policial, pois facilita dialogar com duas pessoas, por exemplo, que não estão se entendendo e acionam o número 190. Pode não ajudar a acalmar os ânimos, mas ajuda a dar as respostas certas.

E, hoje em dia, como eu mencionei anteriormente, não atuo mais nas ruas diretamente com o público, algo que fiz por seis anos. Claro, há uma inconstância de estado, podendo eu voltar a qualquer momento, já que as coisas são muito voláteis lá. Mas, escrevo matérias policiais para divulgar ações positivas da Instituição, então, como podem perceber, tal conhecimento que costumo usar para a profissão de escritor é quem contribui com ela.

 

De onde surgiu a ideia para seu livro mais recente? Sobre o que ele fala?

 Sou um fã histérico de Death Note, apesar de minha casa não ter tudo com a temática do anime. Alguns pôsteres e action-figures são o bastante. Se bem que eu tenho uma caneca, camiseta, toda a coleção de filmes/episódios e também… Ok, eu paro por aqui. Inclusive, enquanto escrevo, estou de cócoras sobre o assento da cadeira, da mesma forma que o detetive L. Tá! Ok de novo… essa última parte não é verdade. Mas esses devaneios mostram como eu gosto desse universo, que briga feio ali no pódio de predileções com Pokémon, outro anime que moldou meu caráter. Não diria que é um exagero, já que eu sempre quis ter esse jeito de viver do Ash de viajar o mundo ajudando as pessoas e, lógico, fazer amigos Pokémon (eu chamo “capturá-los” de “cativá-los”). De qualquer forma, eu separo assim: Pokémon é número 1 pela nostalgia, enquanto Death Note é número 1 pela obra.

Esse amor por Death Note me fez querer criar uma homenagem, que escolhi fazer com referências na minha própria história, com uma reação em cadeia de mortes inexplicáveis, por exemplo. Então criei meu universo sobrenatural e policial, adicionei minhas pesquisas sobre ocultismo, das quais extraí a Goetia, assunto pelo qual me interesso muito. Calma! Não desista de mim, não fuja para as colinas. Não será um livro de feitiços, muito menos estou fazendo uma fanfic de Death Note. Será um mundo próprio, e, tudo se passa no Brasil, onde pessoas começam a se suicidar misteriosamente. Um jovem que acabou de ser preso por assassinato está em um presídio cheio de psicopatas e possui a capacidade de ver espíritos e fazer feitiços. Ele é o maior trunfo que a polícia terá para descobrir o que está por trás das mortes, e a polícia será a melhor aposta dele para, não somente sair dali, como também para pôr seu plano de destruição em prática. Bem, esse plano seria a revelação de um plot-twist que não devo dizer, mas apenas que envolve a extinção do mal, ainda que inocentes precisem morrer para isso. Sim, vocês já viram algo parecido em Death Note… Essas são referências básicas, pois a essência da história e objetivos são absurdamente diferentes, que, acredito, irão surpreendê-lo.

 

Quais dicas você daria para quem está iniciando?

 Se você quer ser um profissional da escrita, leia, mas leia muito mesmo. Leia bastante sobre o gênero que quer escrever e depois pode partir para obras diferentes, para que tenha bagagem. Assim você conseguirá perceber as técnicas, como as tramas são construídas e até o que não replicar. Foque na história, em fazer algo que instigue a curiosidade do leitor, pois ela será a motivadora de fazer alguém indicá-lo a outra pessoa. Dizem que tudo já foi escrito ou contado, então, precisa descobrir como desmontar esses padrões e renová-los. Isso você vai descobrir depois de muita leitura e com sua criatividade, a ferramenta mais importante do escritor.

Vender livros não é tarefa fácil, então, volto a dizer para que foque em fazer boas histórias, em encantar, pois o reconhecimento vem com o tempo.

É muito possível que você seja descoberto e publicado por uma editora, sem que, para isso, gaste um tostão. Mas, hoje em dia, há diversas maneiras de ser independente, então, invista em qualidade — revisão profissional e capa, por exemplo, o que considero primordiais, depois de uma boa história, esta última que dependerá totalmente de você (não adianta uma capa maravilhosa e um texto lindo, sem erros ortográficos, se falta alma na trama e não instiga).

Boa sorte a todos os escritores, e, à equipe do Papo de Autor, obrigado pela oportunidade da entrevista!

 

Redes sociais:

Canal KrossOver: https://www.youtube.com/channel/UC1qi-EelNLoFhOxfrCuHVlg/featured

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IG Canal KrossOver: https://www.instagram.com/canalkrossover/

 

Link dos livros:

 

Os Animais Também Vão Para o Céu: https://www.editorasinna.com.br/os-animais-tambem-vao-para-o-ceu

Antologia Curtos & Fantásticos Volume 1: http://www.curtosefantasticos.com.br

Quando a Lenda Ganha Vida: https://www.editorasinna.com.br/quando-a-lenda-ganha-vida-pre-venda

 

 

Autor(a): Waldir L. Santos

Sou engenheiro eletricista, mas meu viés técnico acaba depois das 8 horas diárias de trabalho. Aficionado por terror, participei de algumas antologias com contos nesse perfil e fui finalista do Curtos & Fantásticos. Atualmente, estou na fase final da edição do meu Livro "Flor de Sangue" e com o projeto "Terrores cotidianos" que conta - em micro contos - nossos medos diários, de uma maneira aterrorizante.

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