5 Erros comuns dos blogs literários

Recentemente, comecei a publicar alguns vídeos respondendo às dúvidas frequentes dos novos autores e os convidando a me enviar mais perguntas. Para minha surpresa, comecei a receber não apenas mensagens de autores, mas de blogueiros também. Um deles perguntou: “Como fazer um blog bom?”. Expliquei que eu não me considerava blogueira, não podia falar como uma. Mas, depois de anos acompanhando e firmando parcerias com inúmeros blogs, eu tenho certas considerações a fazer. Nesse post, vou abordar os erros que vejo por aí com desagradável frequência, colocando-me no papel de leitora e de autora parceira. Espero que você não se identifique com nenhum. Contudo, caso descubra que está cometendo algum desses deslizes, saiba que ainda dá tempo de melhorar. Vamos lá?

1) Layout inconsistente

“Ah, mas a coisa mais importante em um blog é o texto.” Ok, concordo. Mas vamos fazer um paralelo com um livro. Pense nas histórias que eu escrevo. São legais, não é mesmo? Agora, imagine que, em vez de imprimir no formato de livro, eu escrevesse tudo à mão no papel de pão e te entregasse sem capa. Du-vi-do que você compraria. Ou, se comprasse, teria muita dificuldade em ler. O mesmo vale para um blog. O conteúdo pode ser ótimo, mas, se o site for laranja com letras em cor-de-rosa, a leitura será muito ruim. Se tiver gifs piscando para todo lado, pior ainda (sem contar que o leitor se sente nos anos 90). Se o cursor for em formato de coração, tiver neve caindo na tela e um zilhão de imagens giratórias, provavelmente vai travar o meu computador e eu vou desligar tudo com ctrl+alt+del.

Conheço muitos blogs com layout demasiadamente simples. O dono não fez nenhuma personalização, usa o padrão do blogspot ou wordpress. Isso é comum no princípio, ninguém nasce sabendo editar um layout. É um pouco sem graça, mas não chega a incomodar. O problema maior é quando o blogueiro quer inventar demais. Aprende a fazer um site e quer implementar TUDO o que sabe ao mesmo tempo. Não há quem aguente. O certo é manter o equilíbrio: nem muito simples (se você quer ser blogueiro, vai ter que estudar e aprender as ferramentas do blog), nem muito cheio de frufrus (mantenha o bom-senso).

Não, eu NÃO QUERO que o meu cursor seja em formato de Hello Kitty.

Não, eu NÃO QUERO que o meu cursor seja em formato de Hello Kitty.

2) Pouco esforço no conteúdo

Então a pessoa faz o blog mais lindo do mundo, só que o conteúdo é irrelevante. Como melhorar? Em suma, esforce-se! O motivo que leva alguém a ter um blog é justamente poder expressar suas opiniões. Não faz sentido se você não botar a boca no trombone. Não estou dizendo para falar mal de tudo e de todos. Mas sim explicar o assunto sobre o qual está tratando. Se for escrever uma resenha, não faça um mero resumo do livro. Não faça uma mera descrição. Diga o que VOCÊ gostou e o que não gostou. Conte como VOCÊ se sentiu ao ler o livro. Dê bons argumentos, faça comparações interessantes. Blog é muito pessoal, então não fale como se fosse uma entidade. Fale como uma pessoa de carne e osso. Uma pessoa que tem sua própria história, seus gostos e preferências, sua forma única de ver o mundo. Se puder tirar suas próprias fotos, melhor ainda.

Muitos blogs publicam mensalmente as novidades das editoras com quem possuem parceria. Pelo amor de deus, não dá pra simplesmente dar ctrl+c ctrl+v no texto que o responsável pelo marketing te mandou no e-mail. Adicione sua opinião, conte como conheceu cada livro, fale sobre a capa, sei lá. Coloque a sua personalidade em tudo o que você publica. Caso contrário, seu post será exatamente igual ao de todos os outros parceiros da tal editora. Qual é a graça? O blog é a sua “casa virtual”, então deixe-o com a sua cara.

Lembre-se de ter um blog legal significa trabalho. Ele não vai se escrever sozinho. Você precisa dedicar o seu tempo. Sentar e escrever.

Dupla sertaneja de sucesso nos blogs com conteúdo meia-boca.

Dupla sertaneja de sucesso nos blogs com conteúdo meia-boca.

3) Medo excessivo de plágio

Eu não uso mouse. Uso uma mesa digitalizadora (era conhecida como tablet, antes dos atuais tablets entrarem no mercado) e uso teclado, o tempo todo. Atalhos de teclado são amigos. Quando entro em um site, qualquer que seja, eu vou lendo o texto e descendo a página pressionando a barra de espaço, um dos atalhos mais básicos de qualquer sistema operacional. Já é automático, nem penso antes de fazer. E, se tem algo que me incomoda, é entrar em um blog e descobrir que as funções do teclado estão desativadas. Os blogueiros fazem isso para impedir que alguém dê ctrl+c em seus textos.

Já ouvi falar de blogs serem copiados e compreendo a preocupação. Contudo, quem comete esse crime (sim, porque plágio é CRIME!) não costuma ir muito longe. Não tenham todo esse medo, meus amigos. É muito fácil diferir um blogueiro de verdade de um mero copiador. Então não vamos permitir que isso afete as funcionalidades do blog, beleza?

Eu sou autora, adoro quando alguém resenha algum livro meu. Sempre copio um trechinho do post e uso para divulgá-lo no facebook (sei que vocês curtem a divulgação). Mas fico decepcionada quando não consigo usar a função ctrl+c, e me vejo obrigada a abrir o código-fonte e pegar o texto de lá. Sim, esse bloqueio chato que vocês colocam nos blog pode ser contornado. Então, para quê usá-lo?

FUNCIONAAAA!!!!

FUNCIONA, TECLADO!!!!

4) Pensar apenas em ganhar livros

Parcerias de blogueiros com editoras são o máximo. A editora ganha divulgação, o que contribui para que continue a fazer o seu trabalho. O blogueiro ganha livros, o que contribui para que continue a fazer o seu trabalho. Todo mundo sai feliz.

O problema é que essa história de parceria mexe demais com o lado emocional das pessoas. No início, pensei que os blogueiros quisessem apenas ganhar livros. Depois, descobri algo muito mais profundo. O que o blogueiro realmente anseia é pelo reconhecimento. Muito mais importante do que receber uma encomenda gratuita por mês, é ver o nome do seu blog estampado no facebook da editora, onde se lê “Blogs selecionados para parceria do ano tal”. É a sensação de estar por cima da carne seca.

Compreensível. Depois do trabalho árduo, o que você mais quer é ver resultados. E existe resultado melhor do que o reconhecimento de uma editora de renome? Alguém dizendo “Seu trabalho é excelente! Tome aqui livros para ler.” Se eu fosse blogueira literária, sem dúvidas participaria dessas seleções. Ter uma ou outra editora parceira deve ser bem legal! O problema é quando o blogueiro começa a exagerar.

Não adianta negar, existe um limite de livros que você consegue ler por mês, e um limite de resenhas que consegue produzir. Colocar-se à prova e vencer essas limitações é lindo, mas deve ser feito com cautela. A quantidade de resenhas mensais é importante, desde que não prejudique a qualidade. Acontece que, para conseguir cumprir todos os prazos, o blogueiro começa a resenhar de qualquer jeito. O que era para ser prazeroso se transforma em obrigação, e isso fica muito explícito para quem está acompanhando.

Conheça seu próprio ritmo e evite ficar com uma pilha inacabável de leituras a serem feitas. Participe apenas de seleções de editoras que publiquem o que você gosta. O mesmo vale para autores independentes. Já vi blogueiros escreverem: “Eu não gosto do gênero desse livro, mas me inscrevi para o book tour mesmo assim.” Não faz sentido. Você não precisa mostrar ao mundo que é capaz de ser aprovado em uma parceria ou book tour. Não precisa provar nada a ninguém. Se isso é o que move o seu blog, então chegou o momento de rever suas prioridades.

Repito: Seu blog é sua casa. Tem que ser do seu jeito. Se algo te impede de escrever resenhas com uma periodicidade aceitável, considere ter um blog em conjunto com amigos ou entrar para a equipe de algum blog que já esteja em funcionamento. É legal também!

Recebi esses aqui de parceria esse mês.

Recebi esses aqui de parceria esse mês.

5) “Adorei o blog. Comenta no meu?”

Envolvimento com a comunidade é a chave para angariar seguidores, e comentar em outros blogs é o básico a se fazer. Contudo, existe o jeito certo e o jeito errado. Entrar em qualquer post e tascar-lhe um comentário tão genérico quanto “adorei o blog”, e ainda exigir que o colega de hobby retribua a visita, definitivamente, é passar vergonha.

Para acertar, a dica é muito simples: em primeiro lugar, LEIA o post do coleguinha. Depois, comente algo relevante. Assim como você faz nos seus próprios posts, exponha a sua opinião. Mas a opinião sozinha não serve para muita coisa, é por isso que você precisa apresentar argumentos. Demonstre ao dono do blog que você leu, que está participando da discussão, que se importa. Levante questionamentos interessantes. E deixe o link do seu blog. Não precisa mendigar comentários. As pessoas vão clicar no seu link e, se lerem algo interessante por lá, vão comentar. Se não o fizerem, não esquente a cabeça. Construa seus vínculos sem pressa. Não veja os outros como máquinas de comentários, e sim como amizades em potencial. E o mais importante: seja legal. Ninguém gosta de gente chata.

"Ajude-me, sou um veterano das Guerras Clônicas paraplégico. Preciso de $$$ para construir a estrela da morte." Pelo menos esse aí pode usar um mind trick para forçar os leitores a comentarem...

“Ajude-me, sou um veterano das Guerras Clônicas paraplégico. Preciso de $$$ para construir a Estrela da Morte.” Pelo menos esse aí pode usar um mind trick para forçar os leitores a comentarem…

Essa é a minha opinião, mas você pode complementar se quiser. Ou discordar. O importante é manter um diálogo saudável, afinal, ninguém entra na internet para se estressar. Continue se divertindo, porque esse é o principal motivo para se fazer um blog. 🙂

Beijos e até a próxima!
Karen Soarele

Autor(a): Karen Soarele

Autora da Série Crônicas de Myríade e de A Joia da Alma, romance oficial do universo Tormenta.

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