Papo de Autor Entrevista: Sueli Gutierrez

Fale um pouco sobre você. De onde você é? Qual é a sua formação? Qual gênero escreve?

Nasci em São Caetano do Sul, ABC Paulista. Me formei em Jornalismo pela Umesp, depois iniciei doutorado na Universidade Complutense, na Espanha, mas não concluí porque me foi negada a bolsa de estudos pelo CNPQ por duas ocasiões, embora tivesse duas ótimas cartas de recomendação. 

Faço parte do Núcleo de Escritores do ABC, da Academia Popular de Letras de São Caetano do Sul e da Rede Mulheres que Decidem (RMQD).  Meu gênero é infantojuvenil e romance policial. 

 

Como você desenvolveu o amor pela literatura?

Quando pequena minha mãe vendia livros do Círculo do Livro e ganhávamos algumas obras. Eu também recebia pelo correio o Cadernos do Terceiro Mundo, reportagens da América Latina e sobretudo da África. Mas o que me levou a ficar literalmente envolvida com livros por uns dois meses quase ininterruptos foi um acidente de automóvel. Com a clavícula engessada, não podia fazer quase nada, razão porque eu devorava todos os livros à minha frente. Li quase todos da escritora Agatha Christie e talvez seja por isso que eu escrevi um romance policial.

 

Quando decidiu publicar seu primeiro livro? Quais fatores contribuíram ou dificultaram sua estreia literária

Isso aconteceu há muito tempo, em 1983. Antes de lançar meu primeiro livro, eu transitava, nos fins de semana, em bares e teatros do centro de São Paulo com o propósito de vender uma folha contendo quatro poesias. Esclarecia aos clientes que eu não dependia das vendas porque tinha emprego.

Teve uma vez que, vendendo na porta do teatro, vi o ator global Antonio Fagundes na bilheteria do teatro substituindo a funcionária. Até ele comprou. Portanto, foi com o incentivo das pessoas que resolvi escrever o livro.

Procurei algumas editoras, mas não tiveram interesse. Resolvi, então, lançar o livro de poesias independente “Um pouco de Mim”.

Desde então escreve livros?

Não. Fiquei mais de 20 anos hibernando, trabalhando em outras atividades. Voltei a escrever em 2017, lançando, no ano passado, o livro infantojuvenil Era uma vez, Conto outra vez.

 

Além de escritora, você tem outra profissão? Como você diria que essa profissão contribui para o enriquecimento da sua carreira como escritora?

Sou jornalista e guia de turismo. Sendo jornalista, durante alguns anos trabalhei em assessoria de imprensa para entidades sindicais. O fato de escrever bastante para os outros te força a tomar muito cuidado com os erros de português, com o estilo. Aprende a desenvolver frases bem-elaboradas e com simplicidade, conforme o seu público, para facilitar a compreensão da mensagem que se quer transmitir.

Depois aprendi muito também quando fiz o curso de guia. Morei por 12 anos em Salvador e a Bahia parece ser um país dentro do Brasil por ter uma cultura diferenciada, uma natureza exuberante e um clima delicioso que adoro.

Teve uma época em que eu não tinha trabalho. Decidi fazer o curso de guia para recepcionar turistas estrangeiros. Estudei bastante sobre a história da Bahia, do Brasil, da colonização portuguesa, da escravidão, das populações negras e indígenas. Sobre a história do Brasil, novos elementos que eu aprendi in loco e os conhecimentos adquiridos em razão do curso me permitiram aflorar a imaginação para as histórias do livro Era uma vez, Conto outra vez.

Meu processo de criação se deveu muito com a minha vivência na Bahia. Nesse livro eu faço uma releitura de três histórias mundialmente conhecidas, colocando o gênero feminino como protagonista e personagens brancos, negros e indígenas que convivem harmoniosamente nas narrativas. Acho que é um novo conceito de literatura.

Utilizo também animais brasileiros. Por exemplo, em Anita Caçaonça lembra um pouco a história da Chapeuzinho Vermelho, mas ao invés de lobo, será de uma onça que Anita, neta de índio, salva o avô. As outras histórias são Cinderela carvoeira, uma jovem negra que se transformará em princesa, e o Belo e a Fera, uma ruiva que sofre uma maldição de um bruxo. Portanto o curso realizado e minhas viagens ao interior da Bahia me ajudaram a criar os cenários das três histórias que são ambientadas na natureza tropical.

Conversamos sobre o seu Novo conceito de literatura? Poderia explicar melhor?

Na minha infância sempre lia contos de fadas cujos heróis reis, príncipes, caçadores etc tinham o papel de salvar as meninas que estavam em apuros ou na iminência do perigo. Na vida real vemos mulheres guerreiras que matam uma onça a cada dia e exercem um papel preponderante no sustento da família. Esse formato pretende elevar a autoestima do gênero feminino, sem perder a relevância do gênero masculino, que nas minhas histórias estão mais humanizados. Também desenvolvo narrativas em que haja mais empatia entre as diversas etnias brasileiras. Por isso pessoas brancas, negras e indígenas convivem harmoniosamente e os conflitos vão surgir para eliminar o mal, que pode surgir em forma de racismo, de misoginia ou de homofobia.

 

De onde surgiu a ideia para seu livro mais recente? Sobre o que ele fala?

Bem, na verdade já terminei dois e vou lançá-los primeiramente pela Amazon. O infantojuvenil “A gata de rodas”, que seria a última etnia a ser introduzida no livro “Era uma vez”, porque a personagem é de origem oriental. Eu não tive tempo de terminá-lo, por isso estou lançando individualmente.

O mais recente é o romance Lavanda, um romance policial sobre as aventuras e desventuras de uma brasileira morando na França. O primeiro capítulo inicia com um processo de suicídio. Depois, a lavanda, flor típica da França e muito utilizada para fazer perfumes, vai estar presente em diversas formas nas páginas do livro. Procurei, nesta história, estabelecer narrativas comparando as culturas e os aspectos sociais de cada país.

 


Quais dicas você daria para quem está iniciando?

Ler muito ajuda a obter mais vocabulário. Ler vários gêneros de livros vai permitir amplos conhecimentos, estilos de escrita e desenvolve a facilidade de compreensão do texto. Tem que praticar bastante a escrita também. Eu sempre sublinhei a lápis uma palavra que desconheço e escrevo apenas uma palavra na borda do livro, para não esquecer. Depois tento usá-la em outras situações.

 

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Era uma vez, Conto outra vez

 

Link dos livros: https://seulivro-editora.webnode.com/  Site em fase de finalização.

Quem quiser adquirir o livro, basta entrar em contato:  55 11 99197-8627 ou SeuLivro editora: editora.seulivro@gmail.com No valor de R$ 30, envio pelo correio para todo o Brasil. 

Autor(a): Waldir L. Santos

Sou engenheiro eletricista, mas meu viés técnico acaba depois das 8 horas diárias de trabalho. Aficionado por terror, participei de algumas antologias com contos nesse perfil e fui finalista do Curtos & Fantásticos. Atualmente, estou na fase final da edição do meu Livro "Flor de Sangue" e com o projeto "Terrores cotidianos" que conta - em micro contos - nossos medos diários, de uma maneira aterrorizante.

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