Eventos Literários: Dicas #3

Fala pessoal do Papo de Autor! Estou de volta para mais um post sobre dicas de como participar de eventos literários. No post passado, falei sobre a localização do evento, o dia do evento e até sobre o clima. Dessa vez, o assunto será a temática do evento e sobre a mesa do autor. A mesa é o centro de operações do autor em dia de evento e deve estar bem posicionada e preparada para ajudá-lo a enfrentar a batalha de vender. Então, pegue seus livros e marcadores e venha comigo!

Karen Soarele na CCXP 2018

 

Do que se trata o evento?

Essa é uma boa pergunta e por trás dela se escondem alguns preconceitos. Algumas conclusões empíricas também. Sou um autor de fantasia e como muitos que também escrevem nesse gênero, assim como Ficção Científica e afins, curto o universo Geek e Nerd, curto RPG, quadrinhos e tudo mais. Com base nisso, podemos supor que um bom local para se vender livros de fantasia seria em um evento Geek, um evento de RPG ou uma feira de quadrinhos. Tenha cuidado, para não cair no canto da sereia. Muitos desses eventos realmente atraem um bom público, são bem localizados e possuem uma boa infraestrutura, mas a verdade é que essa galera não está indo para o evento atrás de um livro; eles querem tirar fotos com os cosplayers e gastar seu rico dinheirinho em camisetas do Thanos, Funkos ou qualquer outra besteira geek do momento. Essa é a dura verdade.

Muitas vezes um evento desse não se paga para um autor de fantasia, então se ainda quiser participar de algum evento cuja temática não seja de literatura propriamente dita prepare-se para um eventual prejuízo. No mais, aproveite para tirar muitas fotos, fazer o bom e velho networking e se divertir.

Vale lembrar que apesar disso tudo, existem eventos que fogem da curva, como é o caso da ComicCon Experience (CCXP). O público desses eventos gigantes é tão grande e variado que as mesmas regras não mais se aplicam. Isso e o fato da galera que gasta uma grana para participar de uma CCXP da vida já está com o mindset preparado para abrir a carteira e investir em autores desconhecidos. Ou seja, se tiver a oportunidade de colocar as mãos em uma mesa de autor em uma CCXP, não a largue de jeito nenhum!

Quem resiste a uma foto com o Mestre Arsenal?

 

Mesa: o centro de tudo

A mesa do autor é o ponto de apoio e o stand de vendas, por isso mesmo, quanto melhor localizada e arrumada melhor. Em geral, quando o autor fecha a sua participação no evento ele recebe uma planta baixa simplificada do local, apontando as mesas disponíveis. Nesse momento, procure escolher uma mesa em locais onde o fluxo de pessoas tende a ser maior. Mesas de esquina, perto de lojas ou de outras atrações tendem a atrair mais o público. Não tenha medo de ficar próximo a outros autores de seu gênero; a união faz a força!

Como já comentei no post anterior, pergunte sobre a infraestrutura do local. Saiba as dimensões da mesa, se existem pontos de energia disponíveis para carregar o celular ou a maquininha de cartão, se o local é coberto e protegido do sol, se terá ar-condicionado e, por último, quantas cadeiras estão dentro do pacote. Esse número começa a fazer sentido em eventos que praticamente duram o dia inteiro. Em geral o autor pode levar algum acompanhante para ajudá-lo, o que vem bem a calhar nas paradas para o lanche e as idas ao banheiro. Por sinal, procure sempre que possível trazer lanches e garrafas de água de casa… sei que isso não tem nada a ver com mesas, mas já que comentei a respeito, vale lembrar que os preços das lanchonetes nesses eventos são de cair para trás.

Citei aqui várias perguntas que qualquer autor deve se preocupar quando o assunto é a localização e os detalhes da mesa. Se lembrar de mais alguma questão relevante, não se intimide e pergunte aos organizadores. Mesmo se a mesa for grátis, o autor estará investindo o seu tempo e seu marketing pessoal, o que hoje em dia tem bastante valor.

Exemplo de uma planta com a distribuição das mesas para autores

 

Outro assunto referente às mesas tem um caráter mais estético. As mesas são como vitrines e como tais merecem uma atenção especial. Para se ter ideia, as lojas que mais vendem investem pesado no design e disposição de suas vitrines. Esse é o cartão de visitas da loja e o mesmo pode ser dito sobre as mesas dos autores. Claro que o maior responsável pelo sucesso é o próprio autor, que deve receber o público com um grande sorriso e um bom pitch de vendas, mas não podemos descartar o poder de uma mesa bem arrumada, cheia de atrativos e com produtos em destaque.

Já ouvi autores que gostam de colocar tags com os preços em bem à mostra, outros que gostam de escrever em papelão e caneta no melhor estilo feira. Outros ainda preferem nem colocar os preços, na espera de que isso desperte a curiosidade e estimule o comprador a perguntar. Confesso que eu ainda não formei uma opinião a respeito. Na dúvida, faça a sua própria experiência.

Uma coisa que sei por certo é que um bom mix de produtos, aliado a outros bibelôs, são ótimos para atrair a atenção do público. Camisas, canecas, marcadores e chaveiros customizados com o tema de seus livros é um bom começo. O gênero fantasia abre as portas para bijuterias temáticas e até estatuetas de dragões ou guerreiros medievais. Não gaste toda a sua imaginação escrevendo o livro; vai descobrir que vendê-lo também merece uma boa dose de criatividade.

Qual a mesa que chama mais atenção?

Autor(a): Danilo Sarcinelli

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